A essa altura, a mídia já espalhou aos quatro ventos o estudo da FGV sobre a religiosidade brasileira. Infelizmente, o foco deu-se sobre apenas um punhado de dados, inclusive o mais midiático, a queda dos católicos para 68,43% da população.
O texto divulgado pela FGV contém várias outras informações que merecem ser consideradas (e também a afirmação meio estranha de que os PIIGS, incluindo a Grécia ortodoxa, são essencialmente católicos). Eis as que me chamaram a atenção:
- o declínio do catolicismo ocorreu em todas as faixas etárias, não apenas entre os mais jovens;
- ele é um fenômeno acelerado, não gradual, tendo ocorrido principalmente nos últimos 30 anos: ainda em 1980, os católicos eram 88,96%;
- em dois estados os católicos já não são maioria: Rio de Janeiro e Roraima;
- o maior crescimento ocorreu entre os evangélicos tradicionais, de 5,35% para 7,47%;
- os homens são os menos religiosos, mas também os mais católicos; mulheres formam a maior parte dos evangélicos e espíritas;
- evangélicos tradicionais e espíritas concentram-se nas classes altas. Evangélicos pentecostais, nas baixas. Católicos e não religiosos são mais comuns nos dois extremos.
O que parece evidente é que a religião está num momento de mudanças rápidas por aqui. As duas grandes perguntas sem resposta são: a) quando e em que ponto vai parar a fuga dos católicos? O catolicismo continuará sendo majoritário por muito tempo ou se tornará apenas a crença mais comum? b) Quais serão as mudanças sociais e culturais decorrentes desse cenário mais plural? Mais tolerância ou igrejas agressivamente caçando fiéis e atacando suas rivais?
A resposta à primeira pergunta depende, em grande parte, de quais atitudes o clero católico pretende tomar para recuperar o rebanho perdido - não é uma que outra vinda do papa que vai fazer a diferença. A segunda depende principalmente dos pentecostais, que no momento formam a principal nota dissonante num contexto mais ou menos tolerante (ênfase no mais ou menos, por favor). Por mim, apenas gostaria que eles abandonassem a sua peculiar obsessão à la americana com a verdade literal da Bíblia e o obscurantismo científico que daí segue. Atualmente, existe um motivo para que o pentecostalismo seja inversamente proporcional ao grau de instrução das pessoas...
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