Onde o ontem vive no hoje. Notas sobre a história, a ciência histórica e a vida acadêmica para leitores curiosos.
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setembro 03, 2012
76. E eis a dissertação
É com alegria que revelo ao mundo o resultado de dois anos de trabalho. Certamente não está perfeita - nada nunca chega a esse ponto - mas acho honestamente que ficou bastante satisfatória. Quem tiver curiosidade sobre um dos capítulos menos conhecidos da história legal e cultural brasileira pode encontrar o texto completo aqui.
75. Momento Patrimônio
Foi recentemente lançado, e disponibilizado online, um livro da UPF sobre patrimônio histórico, educação patrimonial e assuntos afins. O livro está relacionado a uma série de programas de TV sobre o mesmo tema, e todos podem ser conferidos no seguinte link: http://historiaupf.blogspot.com.br/2012/09/coletanea-momento-patrimonio-disponivel.html
junho 28, 2012
71. Novos artigos
Dois artigos meus foram publicados recentemente e seus links ainda não haviam sido colocados aqui, então aqui estão:
Colocando os Direitos Sociais em Prática: O Tratamento dado às Reclamatórias Individuais de Trabalhadores Grevistas do Frigorífico Z. D. Costi (Passo Fundo/RS, 1988) - texto feito juntamente com o colega Felipe Abal e publicado na revista Passagens da UFF. Resumindo, é uma demonstração da teoria de E. P. Thompson acerca do direito: este não pode ser um simples instrumento de controle dos dominados pela classe dominante (como dizia a interpretação marxista tradicional), porque uma legislação escancaradamente opressora não vai cumprir seu papel de enganar e facilitar a dominação de ninguém. Ao invés disso, o mundo jurídico possui uma certa autonomia e nele podemos ver conflitos sociais, que ali seguem as regras propriamente jurídicas.
O que faz bastante sentido, mesmo para quem, como eu, está longe de aderir a todas as ideias do marxismo.
COMEÇANDO A HISTÓRIA PELO INÍCIO – POSSIBILIDADES E DESAFIOS DA GRANDE HISTÓRIA - publicado na Semina da UPF. Trata de uma corrente de historiadores dos países de língua inglesa, chamada Big History ou Grande História. Seu diferencial é propor o estudo de escalas de tempo muito mais amplas do que as que os historiadores costumam empregar, para inserir a história humana no mundo ao seu redor. É cedo para dizer se a moda pode pegar por aqui, mas pode ser uma possibilidade de ensino bastante interessante, um meio de utilizar a interdisciplinaridade para superar a fragmentação decorrente de pesquisas cada vez mais especializadas.
Colocando os Direitos Sociais em Prática: O Tratamento dado às Reclamatórias Individuais de Trabalhadores Grevistas do Frigorífico Z. D. Costi (Passo Fundo/RS, 1988) - texto feito juntamente com o colega Felipe Abal e publicado na revista Passagens da UFF. Resumindo, é uma demonstração da teoria de E. P. Thompson acerca do direito: este não pode ser um simples instrumento de controle dos dominados pela classe dominante (como dizia a interpretação marxista tradicional), porque uma legislação escancaradamente opressora não vai cumprir seu papel de enganar e facilitar a dominação de ninguém. Ao invés disso, o mundo jurídico possui uma certa autonomia e nele podemos ver conflitos sociais, que ali seguem as regras propriamente jurídicas.
O que faz bastante sentido, mesmo para quem, como eu, está longe de aderir a todas as ideias do marxismo.
COMEÇANDO A HISTÓRIA PELO INÍCIO – POSSIBILIDADES E DESAFIOS DA GRANDE HISTÓRIA - publicado na Semina da UPF. Trata de uma corrente de historiadores dos países de língua inglesa, chamada Big History ou Grande História. Seu diferencial é propor o estudo de escalas de tempo muito mais amplas do que as que os historiadores costumam empregar, para inserir a história humana no mundo ao seu redor. É cedo para dizer se a moda pode pegar por aqui, mas pode ser uma possibilidade de ensino bastante interessante, um meio de utilizar a interdisciplinaridade para superar a fragmentação decorrente de pesquisas cada vez mais especializadas.
fevereiro 08, 2012
55. Novo artigo
Tenho um artigo publicado na nova edição da revista Espaço Acadêmico. Os leitores já acostumados às minhas queixas contra o eurocentrismo em nosso ensino vão reconhecer alguns temas familiares, mas com variações que espero que tornem a leitura proveitosa. O texto pode ser encontrado em: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/13690
Como uma sugestão adicional, a Espaço Acadêmico é um periódico online bastante eclético em sua seleção de temas, então dê uma olhada nos últimos números - há um pouco para quase todos.
Como uma sugestão adicional, a Espaço Acadêmico é um periódico online bastante eclético em sua seleção de temas, então dê uma olhada nos últimos números - há um pouco para quase todos.
novembro 30, 2011
47. Textos! Textos!
Saíram os anais do XXVI Simpósio Nacional de História, realizado em São Paulo no mês de julho. Para quem se interessa por algum assunto histórico qualquer, ou quer se inteirar do que anda sendo pesquisado, é uma boa oportunidade - existem centenas de textos, sobre outros tantos assuntos diferentes (se a qualidade também varia muito, ainda não li o suficiente para dizer!). Eis o site.
Dos textos, um é meu. A história dos quadrinhos é um tema que me agrada muito, apesar de ainda não ter tido chance de continuar a pesquisa. Nesse primeiro momento, fiz uma comparação entre suas vertentes americana e japonesa, as principais do mundo até hoje. Aos interessados, o texto está aqui.
Dos textos, um é meu. A história dos quadrinhos é um tema que me agrada muito, apesar de ainda não ter tido chance de continuar a pesquisa. Nesse primeiro momento, fiz uma comparação entre suas vertentes americana e japonesa, as principais do mundo até hoje. Aos interessados, o texto está aqui.
setembro 28, 2011
42. Artigo - curandeirismo
Com o começo do I Congresso Internacional de História Regional da UPF, foram publicados os anais eletrônicos do evento, com um texto deste que vos escreve. Minha contribuição trata da história do curandeirismo no Brasil e um estudo de caso.
Aos interessados, os anais do evento: http://www.upf.br/historiaregional/index.php?option=com_content&view=article&id=18&Itemid=21
Aos ainda mais interessados, farei a apresentação amanhã de manhã. Quem vier, verá...
Aos interessados, os anais do evento: http://www.upf.br/historiaregional/index.php?option=com_content&view=article&id=18&Itemid=21
Aos ainda mais interessados, farei a apresentação amanhã de manhã. Quem vier, verá...
março 27, 2011
20. Novo artigo
Mais feliz era Heródoto, que viveu antes das universidades: bastou um livro para assegurar a sua imortalidade. Hoje em dia, qualquer um que se envolva no meio acadêmico precisa produzir um fluxo constante de publicações, apresentações, qualquer coisa que possa acrescentar algumas linhas ao currículo; um CV volumoso aumenta as chances de entrar na pós-graduação, ser contratado, enfim, todas as coisas boas.
Não que a simples quantidade baste: onde se é publicado também é importante. O índice Qualis, uma das obsessões dos pesquisadores, mede a qualidade dos periódicos, não dos textos. As revistas recebem uma avaliação de 0 a 7 (expressa em letras; em ordem crescente, temos: C, B5, B4, B3, B2, B1, A2 e A1) de acordo com uma série de critérios, e os pesquisadores têm sua produção avaliada de acordo com as revistas em que publicaram. Colocando em termos práticos, se Einstein fosse brasileiro e tivesse publicado a teoria da relatividade especial em uma revista de Qualis baixo, isso beneficiaria menos a carreira dele do que publicar artigos medíocres em revistas conceituadas. Provavelmente precisamos de alguma espécie de critério objetivo para saber quem é mais ou menos relevante em sua área, mas se até eu vejo os problemas do sistema atual em dois minutos, é porque realmente temos problemas.
Depois desse preâmbulo para explicar porque é do meu interesse ter publicações, informo aos interessados que acabo de ter um artigo publicado na nova edição da revista Semina, que trata de como era visto o trabalho feminino nos anos 20 do século passado. Para não estragar a surpresa, apenas vou adiantar que era complicado, porque havia valores conflitantes em jogo.
Confiram a revista, deem uma chance aos artigos, divulguem...
Não que a simples quantidade baste: onde se é publicado também é importante. O índice Qualis, uma das obsessões dos pesquisadores, mede a qualidade dos periódicos, não dos textos. As revistas recebem uma avaliação de 0 a 7 (expressa em letras; em ordem crescente, temos: C, B5, B4, B3, B2, B1, A2 e A1) de acordo com uma série de critérios, e os pesquisadores têm sua produção avaliada de acordo com as revistas em que publicaram. Colocando em termos práticos, se Einstein fosse brasileiro e tivesse publicado a teoria da relatividade especial em uma revista de Qualis baixo, isso beneficiaria menos a carreira dele do que publicar artigos medíocres em revistas conceituadas. Provavelmente precisamos de alguma espécie de critério objetivo para saber quem é mais ou menos relevante em sua área, mas se até eu vejo os problemas do sistema atual em dois minutos, é porque realmente temos problemas.
Depois desse preâmbulo para explicar porque é do meu interesse ter publicações, informo aos interessados que acabo de ter um artigo publicado na nova edição da revista Semina, que trata de como era visto o trabalho feminino nos anos 20 do século passado. Para não estragar a surpresa, apenas vou adiantar que era complicado, porque havia valores conflitantes em jogo.
Confiram a revista, deem uma chance aos artigos, divulguem...
dezembro 20, 2010
9. História da África da UNESCO
No começo de 2003, a lei 10639 teve o efeito de um furacão entre os historiadores brasileiros: a partir daquele momento, era obrigatório o ensino de história da África e dos africanos. Uma iniciativa governamental bem intencionada, tendo em vista a importância dos africanos na formação do Brasil - o que, sem dúvida, era o que os legisladores tinham em mente. Se eles estivessem mais preocupados, quem sabe, com a importância que a África tem por si só, e achassem que o simples fato de existir uma história africana já é motivo para estudá-la, teriam tomado alguma medida adicional para preencher uma outra lacuna do nosso ensino e historiografia: uma pequena lacuna chamada Ásia...
Uma lei bem intencionada mas, como muitas coisas no Brasil, não tão bem planejada. Um mero canetaço não podia criar o ensino de história africana da noite para o dia, se não havia - com poucas, poucas exceções - pesquisadores na área, material em português, fosse acadêmico ou didático, e nem professores com conhecimento do assunto. Como os professores poderiam divulgar o que não tinham visto na universidade e não conseguiam encontrar nem nos livros didáticos nem em qualquer outro material?
Desnecessário dizer que nos anos seguintes houve uma corrida para superar essas falhas, e também desnecessário dizer que o processo continua em andamento. Acho que um dia teremos a história da África como um campo plenamente desenvolvido de ensino e pesquisa no Brasil, mas esse dia certamente ainda não chegou.
Acho também que a UNESCO concorda comigo, e é para colaborar nessa construção de um novo campo que disponibilizaram online a Coleção História Geral da África em português. Oito calhamaços gigantescos, ilustrados, escritos por especialistas, cobrindo desde a pré-história africana até o século 20.
A iniciativa é bem intencionada, e pelo que vi até agora a repercussão foi positiva: material de qualidade (e quantidade!) justamente sobre assuntos dos quais não se encontrava o que ler. Certamente, é melhor ter esses livros disponíveis gratuitamente para todos os interessados do que não tê-los, mas tenho algumas ressalvas. Acho que faltou um pouco de planejamento quanto a duas questões:
1 - a quantidade de material é imensa, vários milhares de páginas. Alguém realmente acredita que os professores de ensino fundamental e médio irão ler todo esse material apenas para dar uma ou duas aulas? Uma síntese de cem ou duzentas páginas teria mais consequências práticas do que os intimidadores oito volumes da UNESCO;
2 - a possível obsolescência dos textos, que foram publicados originalmente no início dos anos 80. Mesmo para a história, trinta anos são tempo suficiente para que muito do que está ali já tenha sido superado por pesquisas mais recentes. Não sou um grande conhecedor de história africana para testar essa hipótese, mas o primeiro volume incluiu alguns capítulos sobre um tema com o qual estou mais familiarizado: a origem da humanidade. Mesmo com um capítulo escrito por um dos maiores especialistas no assunto, Richard Leakey, o que o livro diz a respeito está defasado. Nos últimos anos, foram descobertas novas espécies, reclassificadas as já conhecidas e surgiram evidências suficientes para mudar o conhecimento da pré-história humana e tornar obsoleto o que foi escrito há mais tempo - na década de 80, por exemplo.
Por outro lado, a pré-história é uma área que avança com uma rapidez particular - em parte por se beneficiar dos avanços de outras ciências, como no que diz respeito à datação, e em parte porque as evidências para períodos mais antigos são relativamente tão escassas que um único fóssil em bom estado pode colocar de ponta-cabeça tudo que se sabia anteriormente. O resto da coleção pode muito bem estar dentro do seu prazo de validade. Assim espero.
Ceticismo à parte, a iniciativa da UNESCO é bem-vinda. Só resta torcer para que ela seja um ponto de partida, não de chegada, e que nossos africanistas solucionem as eventuais falhas do material.
Uma lei bem intencionada mas, como muitas coisas no Brasil, não tão bem planejada. Um mero canetaço não podia criar o ensino de história africana da noite para o dia, se não havia - com poucas, poucas exceções - pesquisadores na área, material em português, fosse acadêmico ou didático, e nem professores com conhecimento do assunto. Como os professores poderiam divulgar o que não tinham visto na universidade e não conseguiam encontrar nem nos livros didáticos nem em qualquer outro material?
Desnecessário dizer que nos anos seguintes houve uma corrida para superar essas falhas, e também desnecessário dizer que o processo continua em andamento. Acho que um dia teremos a história da África como um campo plenamente desenvolvido de ensino e pesquisa no Brasil, mas esse dia certamente ainda não chegou.
Acho também que a UNESCO concorda comigo, e é para colaborar nessa construção de um novo campo que disponibilizaram online a Coleção História Geral da África em português. Oito calhamaços gigantescos, ilustrados, escritos por especialistas, cobrindo desde a pré-história africana até o século 20.
A iniciativa é bem intencionada, e pelo que vi até agora a repercussão foi positiva: material de qualidade (e quantidade!) justamente sobre assuntos dos quais não se encontrava o que ler. Certamente, é melhor ter esses livros disponíveis gratuitamente para todos os interessados do que não tê-los, mas tenho algumas ressalvas. Acho que faltou um pouco de planejamento quanto a duas questões:
1 - a quantidade de material é imensa, vários milhares de páginas. Alguém realmente acredita que os professores de ensino fundamental e médio irão ler todo esse material apenas para dar uma ou duas aulas? Uma síntese de cem ou duzentas páginas teria mais consequências práticas do que os intimidadores oito volumes da UNESCO;
2 - a possível obsolescência dos textos, que foram publicados originalmente no início dos anos 80. Mesmo para a história, trinta anos são tempo suficiente para que muito do que está ali já tenha sido superado por pesquisas mais recentes. Não sou um grande conhecedor de história africana para testar essa hipótese, mas o primeiro volume incluiu alguns capítulos sobre um tema com o qual estou mais familiarizado: a origem da humanidade. Mesmo com um capítulo escrito por um dos maiores especialistas no assunto, Richard Leakey, o que o livro diz a respeito está defasado. Nos últimos anos, foram descobertas novas espécies, reclassificadas as já conhecidas e surgiram evidências suficientes para mudar o conhecimento da pré-história humana e tornar obsoleto o que foi escrito há mais tempo - na década de 80, por exemplo.
Por outro lado, a pré-história é uma área que avança com uma rapidez particular - em parte por se beneficiar dos avanços de outras ciências, como no que diz respeito à datação, e em parte porque as evidências para períodos mais antigos são relativamente tão escassas que um único fóssil em bom estado pode colocar de ponta-cabeça tudo que se sabia anteriormente. O resto da coleção pode muito bem estar dentro do seu prazo de validade. Assim espero.
Ceticismo à parte, a iniciativa da UNESCO é bem-vinda. Só resta torcer para que ela seja um ponto de partida, não de chegada, e que nossos africanistas solucionem as eventuais falhas do material.
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