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setembro 24, 2012

77. Músicas e guerra

O objetivo de hoje é mostrar que o YouTube é um acervo audiovisual gigantesco e que, se bem peneirado, pode mostrar muitas coisas interessantes além das últimas músicas de sucesso. O tema da vez, escolhido sem nenhum motivo em particular, é "músicas relacionadas a guerras" - em princípio, qualquer relação conta: músicas militares, anti-guerra, que se tornaram populares em época de guerra, etc. Vou precisar de vários posts, pois a seleção de hoje mal começa a dar conta das possibilidades. Para começar, algumas da Segunda Guerra Mundial:


A primeira se chama Le chant des partisans (A canção dos resistentes), uma das principais músicas da Resistência francesa contra a ocupação nazista:


Seguem a letra e tradução, vindas desse site:


Ami, entends-tu
Le vol noir des corbeaux
Sur nos plaines?
Ami, entends-tu
Les cris sourds du pays
Qu'on enchaîne?
Ohé! partisans,
Ouvriers et paysans,
C'est l'alarme!
Ce soir l'ennemi
Connaîtra le prix du sang
Et des larmes!

Amigo, ouves
o voo negro dos corvos
nas nossas planícies?
Amigo, ouves
os gritos surdos do país
que acorrentam?
Oh resistente,
Operários e Camponeses,
É o alarme!
Esta noite o inimigo
Conhecerá o preço do sangue
e das lágrimas!

Montez de la mine,
Descendez des collines,
Camarades!
Sortez de la paille
Les fusils, la mitraille,
Les grenades...
Ohé! les tueurs,
A la balle et au couteau,
Tuez vite!
Ohé! saboteur,
Attention à ton fardeau:
Dynamite!

Subam das minas
Desçam das colinas
Camaradas!
Tirem dos fardos de palha
As espingardas, as munições,
as granadas
Matadores,
com balas e com facas,
matai depressa!
Sabotador!
Cuidado com o teu fardo
Dinamite!

C'est nous qui brisons
Les barreaux des prisons
Pour nos frères,
La haine à nos trousses
Et la faim qui nous pousse,
La misère...
Il y a des pays
Ou les gens au creux de lits
Font des rêves;
Ici, nous, vois-tu,
Nous on marche et nous on tue,
Nous on crève.

Somos nós que quebramos
as barras das prisões
para os nossos irmãos,
o ódio que nos persegue
a fome que nos empurra
A miséria ...
Há países onde na cama
as pessoas sonham;
Aqui, nós, vê-la tu,
Nós marchamos e matamos
nós morremos.

Ici chacun sait
Ce qu'il veut, ce qui'il fait
Quand il passe...
Ami, si tu tombes
Un ami sort de l'ombre
A ta place.
Demain du sang noir
Séchera au grand soleil
Sur les routes.
Sifflez, compagnons,
Dans la nuit la Liberté
Nous écoute...

Aqui cada um sabe
o que quer, o que faz
quando passa ...
Amigo se tu caíres
Outro amigo sai da sombra
No teu lugar.
Amanhã o sangue negro
secará ao sol
nas estradas
assobiai, companheiros,
Na noite a liberdade,
ouve-nos ...


A segunda música é Fischia il vento (Sopra o vento), da resistência italiana. Mais enérgica, com a melodia da canção russa Katyusha, e muito mais comunista que sua contraparte francesa:



Letra e tradução, do letras.com.br:

Fischia il vento ed infuria la bufera
Sopra o vento e enfurece-se a tempestade
scarpe rotte e pur bisogna andar
sapatos velhos e ainda necessitamos andar
a conquistare la rossa primavera
a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

...a conquistare la rossa primavera
...a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

Ogni contrada è patria del ribelle
Cada vizinhança é pátria do rebelde
ogni donna a lui dona un sospir
cada mulher doa a ele un suspiro
nella notte lo guidano le stelle
na noite guiam as estrelas
forte il cuor e il braccio nel colpir
forte o coração e o braço para golpear

...nella notte lo guidano le stelle
...na noite guiam as estrelas
forte il cuor e il braccio nel colpir
forte o coração e o braço para golpear

E se ci coglie la crudele morte
E se si colhe a cruel morte
dura vendetta fara dal partigian
dura vingança fará do partisan
ormai sicura è già la dura sorte
no entanto já é certo o duro destino
del fascista vile traditor
do fascista vil traidor

...ormai sicura è già la dura sorte
...no entanto já é certo o duro destino
del fascista vile traditor
do fascista vil traidor

Cessa il vento, calma è la bufera
Calma o vento, calma é a tempestade
torna a casa il fiero partigian
torna a casa o altivo partisan
sventolando la rossa sua bandiera
abanando a vermelha, sua bandeira
vittoriosi, e alfin liberi siam!
vitoriosos, e enfim somos livres!

...sventolando la rossa sua bandiera
...abanando a vermelha, sua bandeira
vittoriosi, e alfin liberi siam!
vitoriosos, e enfim somos livres!
Fischia il vento ed infuria la bufera
Sopra o vento e enfurece-se a tempestade
scarpe rotte e pur bisogna andar
sapatos velhos e ainda necessitamos andar
a conquistare la rossa primavera
a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

...a conquistare la rossa primavera
...a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro 
Em terceiro, uma do lado alemão - Erika:
Não encontrei uma tradução da letra em português, mas é bastante inocente: um soldado vê uma flor de urze (em alemão, Erika) no campo e se lembra de sua noiva que tem o mesmo nome. Infelizmente essa canção tão bonita foi emporcalhada por associação com os nazistas - era a música de marcha da Waffen-SS...

junho 17, 2012

70. Patrimônio italiano ameaçado


Uma consequência da crise econômica italiana: o patrimônio artístico e histórico do país, que já não era preservado como deveria, está mais abandonado que de costume. Além dos problemas de Pompeia e do Coliseu, agora é a vez da Fontana di Trevi, uma das principais atrações de Roma, começar a deteriorar - pedaços da decoração já estão caindo por falta de manutenção.

Talvez seja hora de o governo italiano lembrar que a preservação de monumentos é, no mínimo dos mínimos, um investimento para atrair turistas, e que em 2011 a Itália, como quinto país mais procurado, ganhou 30.9 bilhões de euros com turismo (atrás apenas de Estados Unidos, Espanha, França e China). Isso para não falar em seu valor cultural ou como elemento de uma identidade nacional, que na Itália ainda está em construção - um país em crise pode cometer o erro de colocar a cultura em segundo plano, mas não o de esquecer suas fontes de receita.







Abaixo, a notícia do The Guardian:

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Rome's Trevi fountain crumbling 'for lack of maintenance'

City officials blame freak snowfall for damage, but critics decry 'dangerous' cuts to funding to protect Italian heritage


Ornate stucco reliefs have crumbled from the Trevi fountain, Rome's baroque masterpiece, making it the latest in a series of Italian monuments to suffer damage and reigniting a row over Italy's commitment to protect its heritage.
As hundreds of tourists lobbed pennies into the fountain's pool on Monday, workmen were erecting scaffolding around a section of the facade where fragments of a gargoyle's head and foliage crashed to the ground on Saturday night.
City officials played down the damage, blaming it on Rome's freak snowfall this winter, which caused water infiltration. But as the rest of the fountain was checked for crumbling stucco, Italy's Green party launched a campaign against what it described as dangerous cuts to the funding to maintain Rome's monuments.
"We are asking Romans to tip us off to sites which are not being taken care of," said the Green party president, Angelo Bonelli.
Bonelli cited the Colosseum, where stone fragments fell from a wall last year, and Nero's palace, the Domus Aurea, which has been closed to visitors since a roof collapsed. Archaeologists have also blamed the collapse of a number of walls at Italy's best known dig, Pompeii, on a lack of day-to-day maintenance.
The Trevi fountain, which centres on a statue of Neptune on a chariot and features a cascade of rocky waterfalls, last underwent major works in 1990.
Commissioned in 1732, it attained iconic status when Anita Ekberg waded into its 20-metre-wide pool in the 1960 film La Dolce Vita. In 2007, it ran out of water when the underground Roman aqueduct that still supplies it was blocked by workmen digging a garage.This year, masonry crumbled from the arches holding up two other, disused, Roman aqueducts in the Italian capital, the Acqua Claudia and the Acqua Felix.
"That damage, just like the damage at the Trevi, was due to the heavy snow and rain this winter," said Umberto Broccoli, Rome's cultural heritage superintendent. "Rome is not Glasgow, and buildings were built accordingly," he added.
Broccoli said that previous restoration efforts were also to blame for this weekend's damage at the Trevi fountain. "I climbed up yesterday and saw that lead struts inserted to protect the facade had split."
But he agreed that regular maintenance was key to keeping monuments from falling over. "You need more teams of masons patrolling sites," he said. "The problem is we have so many monuments. The UK has Hadrian's wall, while we have walls around every town to protect."
Sections of the Aurelian walls surrounding the city of Rome, which were built in the third century, have collapsed in recent years, but Broccoli said the walls' builders were partly to blame. "They built in a hurry, right across amphitheatres, tombs and aqueducts, and it already needed restoration by the 4th century," he said.
Obtaining the €75m (£60m) needed to restore the walls would be impossible, he added, unless Rome was allowed to cover the scaffolding with adverts, a solution that provoked fierce controversy in Venice when a huge Coca-Cola billboard blocked views of the Bridge of Sighs.