outubro 02, 2012

81. Primeiro livro, e um convite aos leitores

Dizem que existem três maneiras de deixar algo para a posteridade - ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Acabo de realizar a terceira, e fica aqui o convite para o lançamento:


outubro 01, 2012

80. Eric Hobsbawm (1917-2012)

Eric Hobsbawm, um dos grandes historiadores de nosso tempo, morreu hoje de pneumonia. O tamanho da perda intelectual que seu falecimento representa é bem conhecido por quem tiver lido um de seus livros sobre numerosos assuntos: marxismo, história do trabalho, história do jazz, o "longo século 19" de 1789-1914, o "curto século 20" de 1914-1991, globalização, invenção de tradições culturais e provavelmente outros assuntos ainda...

Qual livro dele mais me marcou? O primeiro que li, Era dos extremos. Foi uma das obras que me convenceram de que um historiador pode transmitir ideias inteligentes e ao mesmo tempo escrever de forma acessível aos leitores.

O que gostaria que ele tivesse vivido para fazer? Uma revisão de Era das revoluções, Era do capital e Era dos impérios. A "trilogia das eras" abarca todo o século 19 e continua importante ainda hoje, mas foi escrita há bastante tempo (o primeiro foi lançado em 1962) e teria ganho um surto extra de vitalidade com a revisão e atualização de detalhes em que a historiografia avançou desde então.


------------------------------------------------------------------------------------------------------


Morre aos 95 anos em Londres o historiador Eric Hobsbawm

Intelectual é considerado um dos maiores historiadores do século XX.
Britânico escreveu 'A era dos extremos', 'A era do capital' e outras obras.

Do G1, com agências internacionais
172 comentários
O historiador britânico Eric Hobsbawm morreu de pneumonia nesta segunda-feira (1º) aos 95 anos no hospital Royal Free de Londres, informou sua família.
O intelectual marxista é considerado um dos maiores historiadores do século XX e escreveu "A era das revoluções", "A era do capital", "A era dos impérios", "Era dos extremos", entre outras obras.
Ele também era um entusiasta e crítico do jazz, escrevendo resenhas para jornais sobre o gênero musical e publicando o livro "História social do jazz".
Sua filha, Julia Hobsbawm, disse: "Ele morreu de pneumonia nas primeiras horas da manhã em Londres. Ele fará falta não apenas para sua esposa há 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também por seus milhares de leitores e estudantes ao redor do mundo".
"Até o fim, ele estava se esforçando ao máximo, ele estava se atualizando, havia uma pilha de jornais em sua cama", completou a filha.
Na manhã desta segunda-feira, Julia escreveu em seu perfil no Twitter que se sentia "comovida" pela "gentileza e pelas condolências de amigos e desconhecidos hoje pelo meu amável e incomparável pai" (leia o tuíte, em inglês).
Trajetória
Eric John Ernest Hobsbawm nasceu de uma família judia em Alexandria, no Egito, em 9 de junho de 1917.
Seu pai era britânico, descendente de artesãos da Polônia e Rússia, e a família de sua mãe era da classe média austríaca.
Hobsbawn cresceu em Viena, capital da Áustria, e em Berlim, capital da Alemanha.
Ele aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos, após a morte precoce de seus pais. Na ocasião, ele foi morar com seu tio.
Na escola, ele informou o diretor que ele era comunista e argumentou que o país precisava de uma revolução.
"Ele me fez umas perguntas e disse: 'Você claramente não faz ideia do que está falando. Faça o favor de ir à biblioteca e veja o que consegue descobrir'", disse em uma entrevista à BBC em 2012. "E então eu descobri o Manifesto Comunista [de Karl Marx] e foi isso", relatou, indicando o começo de sua formação marxista.
Em 1933, quando Hitler começava a subir no poder na Alemanha, Hobsbawm foi para Londres, na Inglaterra, onde obteve cidadania britânica.
O historiador se filiou ao Partido Comunista da Inglaterra em 1936 e continuou membro da legenda mesmo após o ataque das forças soviéticas à Hungria em 1956 e as reformas liberais de Praga em 1968, embora tenha criticado os dois eventos. O ex-líder do partido Neil Kinnock chegou a chamar Hobsbawm de "meu marxista predileto".
'Muito comovida pela total gentileza e pelas condolências de amigos e desconhecidos hoje pelo meu amável e incomparável pai', escreveu Julia (Foto: Reprodução)'Muito comovida pela total gentileza e pelas
condolências de amigos e desconhecidos hoje
pelo meu amável e incomparável pai', escreveu
Julia na manhã desta segunda (Foto: Reprodução)
Anos depois, ele disse que "nunca havia tentado diminuir as coisas terríveis que haviam acontecido na Rússia", mas que acreditava que, no início do projeto comunista, um novo mundo estava nascendo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Hobsbawm foi alocado a uma unidade de engenharia em que foi apresentada a ele, pela primeira vez, a classe proletária.
"Eu não sabia muito sobre a classe proletária britânica, apesar de ser comunista. Mas, vivendo e trabalhando com eles, pensei que eram boas pessoas", disse à BBC em 1995.
O historiador aprovou neles a "solidariedade, e um sentimento muito forte de classe, um sentimento de pertencer junto, de não querer que ninguém os derrubasse".
Hobsbawm afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana".
Ele veio ao Brasil em 2003 participar da primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), evento do qual foi estrela.
 Hobsbawm afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana" (Foto:  AFP/©Effigie/Leemage) Hobsbawm afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana" (Foto: AFP/©Effigie/Leemage)
Vida acadêmica
Hobsbawm estudou no King's College de Cambridge e começou a dar aula na Universidade de Birkbeck em 1947, mais tarde tornando-se reitor da instituição.
Ele também passou temporadas como professor convidado nos Estados Unidos e lecionou na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel.
Em 1998, ele recebeu o título de Companhia de Honra. O prêmio, raramente concedido a historiadores, o colocou ao lado de ilustres como Stephen Hawking, Doris Lessing e Sir Ian McKellan.
Seu colega historiador A.J.P. Taylor, morto em 1990, disse que o trabalho de Hobsbawm se destacava pelas explicações precisas dos acontecimentos pelo interesse em pessoas comuns.
"A maior parte dos historiadores, por uma espécie de mal da profissão, se interessa somente pelas classes mais altas e pressupõe que eles mesmos fariam parte destes privilegiados se tivessem vivido um século ou dois atrás - uma possibilidade muito remota", escreveu Taylor. "A lealdade do Sr. Hobsbawm está firmemente do outro lado das barricadas", disse.
Eric Hobsbawm durante uma feira do livro em Leipzig, em 1999 (Foto: Eckehard Schulz/AP)Eric Hobsbawm durante uma feira do livro em
Leipzig, em 1999 (Foto: Eckehard Schulz/AP)
ObrasO primeiro livro de Hobsbawm, "Rebeldes primitivos", publicado em 1959, é um estudo dos que ele chamava de "agitadores sociais pré-políticos", incluindo ligas de camponeses sicilianos e gangues e bandidos metropolitanos, um exemplo de seu interesse pela história das organizações da classe trabalhadora.
No mesmo ano, ele escreveu uma obra sobre jazz e começou a colaborar como crítico para a revista "New Statesman" usando o pseudônimo Francis Newton, em homenagem ao trompetista comunista que acompanhava a cantora americana de jazz Billie Holiday.
Em 1962, ele publicou "Era da revolução", primeiro de três volumes sobre o que chamou de "o longo século XIX", cobrindo o período entre 1789, ano da Revolução Francesa, e 1914, começo da I Guerra Mundial. Os seguintes foram "Era do capital" (1975) e "Era dos impérios" (1987).
O quarto livro da sequência, "Era dos extremos" (1994), retratou a história até 1991, com o fim da União Soviética. Ele foi traduzido para quase 40 línguas e recebeu muitos prêmios internacionais.
Suas memórias, publicadas quando tinha 85 anos, elencaram os momentos cruciais na história europeia moderna nos quais ele viveu, e também foram um best-seller.
Seu último livro é "Como mudar o mundo", de 2011, e é um compilado de textos escritos, desde a década de 1960, sobre Karl Marx e o marxismo
De acordo com o jornal britânico "The Guardian", ele tem um livro em revisão a ser publicado em 2013.

setembro 30, 2012

79. Músicas e guerra (2)

E voltamos com a Rádio "Músicas de Guerra". Hoje, duas canções russas.

A primeira é o clássico soviético da Segunda Guerra (ou Grande Guerra Patriótica, como chamam por lá), Katyusha. A melodia foi utilizada logo depois em outros países, como pelos resistentes italianos em seu Fischia il vento, que vimos anteriormente. Já a letra é quase um Erika ao contrário: a jovem Katyusha, diminutivo de Ekaterina, espera seu amado que cumpre o dever na guerra.

Existem inúmeras versões na internet, mas aqui vai uma que ao menos tem a tradução para o espanhol:





Em seguida, uma anterior, da época da Guerra Russo-Japonesa.
O que foi a Guerra Russo-Japonesa? Nada menos que um dos conflitos mais importantes do século e do qual quase nada se sabe por aqui. Em 1904 e 1905, a Rússia czarista e o império japonês lutaram para decidir qual seria a potência dominante na Manchúria (região nordeste da China) e Coreia. Os japoneses venceram, com consequências importantes:
a) mostrou a todo o mundo que um país asiático poderia derrotar um europeu;
b) firmou o expansionismo japonês na Ásia continental, o que mais tarde causaria sua tentativa de conquistar a China e seu envolvimento na Segunda Guerra;
c) os gastos na guerra e a derrota solaparam o prestígio do czar e precipitaram a Revolução de 1905, um prólogo moderado do que seria 1917.

Voltando à música, chama-se Nos morros da Manchúria, composta por Ilya Shatrov após a derrota russa. É um lamento aos soldados russos mortos na Manchúria e a promessa de que serão lembrados e vingados:




setembro 27, 2012

78. O alcance limitado da Comissão da Verdade

Um texto do historiador Carlos Fico que dá o que pensar. Por que a população brasileira em geral não está dando a mínima para as investigações da Comissão da Verdade? A resposta que ele oferece faz sentido: porque existe uma ênfase grande na repressão aos militantes de esquerda e membros da luta armada, que (isso ele não diz com todas as letras, mas se subentende) tinham uma posição minoritária e não compartilhada por muitos. A solução para isso: mudar o foco para as arbitrariedades e desmandos cometidos em um nível mais cotidiano, coisas como o artista que era censurado sem saber o motivo ou o político que era investigado por vingança de um rival, entre outros exemplos que Fico dá.

Ou, colocando de outra forma: é preciso resgatar as pessoas comuns que viveram no período e não necessariamente se identificavam quer com os militares quer com a guerrilha.

A opinião dele vai ser levada em conta? Dificilmente. Mas o que ele sugere é exatamente o tipo de investigação que mostraria que não eram apenas os guerrilheiros que sofreram, que poderia destruir o velho mito dos saudosistas do governo militar: "quem não criava problemas não tinha o que temer".

 ------------------------------------------------------------------------------------------

 

Verdade para todos


Carlos Fico

Por que os trabalhos da Comissão da Verdade mobilizam apenas a militância dos direitos humanos?

Quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos visitou a Argentina, em 1979, ainda durante a ditadura, formaram-se filas de pessoas que traziam suas denúncias. Depois do término do regime militar, a entrega e publicação do relatório final da Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas alcançou grande repercussão.

A Comissão da Verdade da África do Sul transmitiu suas audiências pela TV e pelo rádio.

A comissão brasileira está há seis meses trabalhando, desde março deste ano. Somente neste mês de setembro decidiu que vai mesmo enfatizar a ditadura militar (e não todo o período 1946/1988, como estabelece a lei que a criou) e que apenas investigará os "agentes públicos" e não os adversários do regime, resposta à polêmica sobre investigar apenas um ou os dois "lados".

Nos eventos públicos que promove, a frequência é quase sempre a mesma, reunindo vítimas e parentes de vítimas da repressão durante o regime militar, militantes que lutam pela defesa dos direitos humanos, segmentos organizados da sociedade (movimento estudantil, alguns sindicatos), pesquisadores e quase só. As questões que a Comissão da Verdade tem levantado aparentemente não interessam à maioria da sociedade.

Isso não mudará se alguma providência não for tomada. Em agosto passado, atendendo a convite, falei à comissão sobre as razões do golpe de 1964. No final da minha exposição, pedi licença para considerar outras questões. Afirmei que seria importante incluir as "pessoas comuns" no rol das vítimas.

De fato, muitas pessoas que não participaram da luta armada, ou sequer faziam oposição ostensiva à ditadura militar, foram vítimas do regime. Mas quase não se fala delas. Um professor universitário, por exemplo, pode ter sido cogitado para um cargo de chefia qualquer em sua universidade, mas não foi promovido porque a espionagem da época impediu. Casos assemelhados podem ter acontecido nas empresas estatais e autarquias. Essas pessoas podem nem ao menos saber o que lhes aconteceu.

Políticos inexpressivos de pequenas cidades podem ter sido injustamente investigados pela Comissão Geral de Investigações (um tribunal de exceção que julgava sumariamente supostos corruptos) apenas porque um adversário local, por vingança pessoal, enviou uma carta acusando-o.

Cineastas, dramaturgos, atores, escritores e músicos foram censurados. Não necessariamente porque produziam obras de arte críticas, de protesto, mas, por exemplo, porque o censor da época identificou algo de "imoral" em seus trabalhos.

A abordagem desses e de outros casos assemelhados pela Comissão da Verdade talvez conferisse outra dimensão aos seus trabalhos, chamando a atenção da sociedade para o fato de que a ditadura militar brasileira foi muito violenta - mesmo que no Brasil não tenha havido tantos mortos quanto no caso da Argentina. Nesses exemplos não houve tortura ou assassinato, mas eles também são expressão de um tipo de violência, decorrente da capacidade do regime brasileiro de invadir o cotidiano das pessoas e - segundo seus critérios obscuros - fazer o que quisesse.

Essas histórias estão guardadas nos documentos recentemente liberados pelo Arquivo Nacional. Seria preciso pesquisá-los.

setembro 24, 2012

77. Músicas e guerra

O objetivo de hoje é mostrar que o YouTube é um acervo audiovisual gigantesco e que, se bem peneirado, pode mostrar muitas coisas interessantes além das últimas músicas de sucesso. O tema da vez, escolhido sem nenhum motivo em particular, é "músicas relacionadas a guerras" - em princípio, qualquer relação conta: músicas militares, anti-guerra, que se tornaram populares em época de guerra, etc. Vou precisar de vários posts, pois a seleção de hoje mal começa a dar conta das possibilidades. Para começar, algumas da Segunda Guerra Mundial:


A primeira se chama Le chant des partisans (A canção dos resistentes), uma das principais músicas da Resistência francesa contra a ocupação nazista:


Seguem a letra e tradução, vindas desse site:


Ami, entends-tu
Le vol noir des corbeaux
Sur nos plaines?
Ami, entends-tu
Les cris sourds du pays
Qu'on enchaîne?
Ohé! partisans,
Ouvriers et paysans,
C'est l'alarme!
Ce soir l'ennemi
Connaîtra le prix du sang
Et des larmes!

Amigo, ouves
o voo negro dos corvos
nas nossas planícies?
Amigo, ouves
os gritos surdos do país
que acorrentam?
Oh resistente,
Operários e Camponeses,
É o alarme!
Esta noite o inimigo
Conhecerá o preço do sangue
e das lágrimas!

Montez de la mine,
Descendez des collines,
Camarades!
Sortez de la paille
Les fusils, la mitraille,
Les grenades...
Ohé! les tueurs,
A la balle et au couteau,
Tuez vite!
Ohé! saboteur,
Attention à ton fardeau:
Dynamite!

Subam das minas
Desçam das colinas
Camaradas!
Tirem dos fardos de palha
As espingardas, as munições,
as granadas
Matadores,
com balas e com facas,
matai depressa!
Sabotador!
Cuidado com o teu fardo
Dinamite!

C'est nous qui brisons
Les barreaux des prisons
Pour nos frères,
La haine à nos trousses
Et la faim qui nous pousse,
La misère...
Il y a des pays
Ou les gens au creux de lits
Font des rêves;
Ici, nous, vois-tu,
Nous on marche et nous on tue,
Nous on crève.

Somos nós que quebramos
as barras das prisões
para os nossos irmãos,
o ódio que nos persegue
a fome que nos empurra
A miséria ...
Há países onde na cama
as pessoas sonham;
Aqui, nós, vê-la tu,
Nós marchamos e matamos
nós morremos.

Ici chacun sait
Ce qu'il veut, ce qui'il fait
Quand il passe...
Ami, si tu tombes
Un ami sort de l'ombre
A ta place.
Demain du sang noir
Séchera au grand soleil
Sur les routes.
Sifflez, compagnons,
Dans la nuit la Liberté
Nous écoute...

Aqui cada um sabe
o que quer, o que faz
quando passa ...
Amigo se tu caíres
Outro amigo sai da sombra
No teu lugar.
Amanhã o sangue negro
secará ao sol
nas estradas
assobiai, companheiros,
Na noite a liberdade,
ouve-nos ...


A segunda música é Fischia il vento (Sopra o vento), da resistência italiana. Mais enérgica, com a melodia da canção russa Katyusha, e muito mais comunista que sua contraparte francesa:



Letra e tradução, do letras.com.br:

Fischia il vento ed infuria la bufera
Sopra o vento e enfurece-se a tempestade
scarpe rotte e pur bisogna andar
sapatos velhos e ainda necessitamos andar
a conquistare la rossa primavera
a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

...a conquistare la rossa primavera
...a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

Ogni contrada è patria del ribelle
Cada vizinhança é pátria do rebelde
ogni donna a lui dona un sospir
cada mulher doa a ele un suspiro
nella notte lo guidano le stelle
na noite guiam as estrelas
forte il cuor e il braccio nel colpir
forte o coração e o braço para golpear

...nella notte lo guidano le stelle
...na noite guiam as estrelas
forte il cuor e il braccio nel colpir
forte o coração e o braço para golpear

E se ci coglie la crudele morte
E se si colhe a cruel morte
dura vendetta fara dal partigian
dura vingança fará do partisan
ormai sicura è già la dura sorte
no entanto já é certo o duro destino
del fascista vile traditor
do fascista vil traidor

...ormai sicura è già la dura sorte
...no entanto já é certo o duro destino
del fascista vile traditor
do fascista vil traidor

Cessa il vento, calma è la bufera
Calma o vento, calma é a tempestade
torna a casa il fiero partigian
torna a casa o altivo partisan
sventolando la rossa sua bandiera
abanando a vermelha, sua bandeira
vittoriosi, e alfin liberi siam!
vitoriosos, e enfim somos livres!

...sventolando la rossa sua bandiera
...abanando a vermelha, sua bandeira
vittoriosi, e alfin liberi siam!
vitoriosos, e enfim somos livres!
Fischia il vento ed infuria la bufera
Sopra o vento e enfurece-se a tempestade
scarpe rotte e pur bisogna andar
sapatos velhos e ainda necessitamos andar
a conquistare la rossa primavera
a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro

...a conquistare la rossa primavera
...a conquistar a primavera vermelha
dove sorge il sol dell'avvenir
onde surge o sol do futuro 
Em terceiro, uma do lado alemão - Erika:
Não encontrei uma tradução da letra em português, mas é bastante inocente: um soldado vê uma flor de urze (em alemão, Erika) no campo e se lembra de sua noiva que tem o mesmo nome. Infelizmente essa canção tão bonita foi emporcalhada por associação com os nazistas - era a música de marcha da Waffen-SS...

setembro 03, 2012

76. E eis a dissertação

É com alegria que revelo ao mundo o resultado de dois anos de trabalho. Certamente não está perfeita - nada nunca chega a esse ponto - mas acho honestamente que ficou bastante satisfatória. Quem tiver curiosidade sobre um dos capítulos menos conhecidos da história legal e cultural brasileira pode encontrar o texto completo aqui.